À sombra do Cristo 0

 

Se em 2014 o Rio de Janeiro me recebeu de braços abertos (ver post aqui), este ano ele me recebeu pelas costas, ou melhor, nas sombras de seu Cristo Redentor.

Pode até parecer uma introdução triste, e na verdade é um pouco, mas como a tristeza não perdura para sempre, com calma encontrei certa beleza na dor…

Fernanda Hinke

Foto: Carlos Hinke

Eu sou a garota de Bauru, aliás conhecem essa música de Cazuza? Com força, coragem e uma grande dose de ousadia, hoje moro em Paris, cidade bege e cinza, melancólica, quase sempre sem sol, mas de uma arquitetura espetacular, cidade do amor e da dor. Por falar em amor, tenho a sorte de trabalhar com o amor… amo a bicicleta, amo Paris em minha bicicleta.

Embora paulistana e interiorana, hoje meu Brasil é também o Rio de Janeiro. A praia, o morro, o pôr do sol, a moda, o surf, a música, a favela, a atitude descontraída de seus habitantes sorridentes, contentes e por vezes deliciosamente “mal” intencionados… ah, a carioquice me seduz…

Fernanda Hinke

Rio de Janeiro – Copacabana

Domingo, segunda, terça e quarta-feira, vésperas de Carnaval, rolês de bike com minha querida Cris, altinha alucinante com PXE, Rocinha Surf School, um salve para o grande Bocão. Quinta? Dei mole, perdi o nascer do sol com as amigas na Praia Vermelha, desculpa, aí, Lyli. Sexta uma alô pro Borges, família na área. Queridas Carol e Raissa, foi bom revê-las…

Sábado de Carnaval, uma euforia frenética no ar. Todos se fantasiavam, purpurinavam, alguns se drogavam e todos estavam à procura do melhor bloco de Carnaval…

Fernanda Hinke

Altinha – Ipanema

Fernanda Hinke

Com Cris na Rocinha

Fernanda Hinke

Topo da Rocinha

Para este dia, eu escolhi a calma, a alma, a solitude… me afastei da multidão. Em uma bike, observei o Carnaval de cima, na estrada atrás do Cristo Redentor. Em sua sombra, próximo aos seus braços, sob sua proteção, o Cristo guiava meu coração! Eu pedalava pela estrada das Paineiras.

Fernanda Hinke

Parque Nacional da Tijuca

Paineiras, reserva do Parque Nacional da Tijuca, uma das maiores florestas urbanas do mundo. Lugar onde muito café já foi plantado. Reflorestada por Dom Pedro II, hoje tem jaca, palmito, canela, bambu, jabuticaba, mangueiras, cipós, eucaliptos, jequitibás, etc. Perambulantes macacos-prego, micos, tucanos, gaviões, quatis, etc.

Neste paraíso ecológico, uma ducha gelada na nascente, após a pedalada, foi vivificador!

Fernanda Hinke

Parque Nacional Da Tijuca
Estrada das Paineiras

Fauna, flora e água pura, pureza aos olhos!  Vista Chinesa e Mesa do Imperador. Deus deve mesmo ser brasileiro e provavelmente carioca, ele foi muito generoso com o Rio de Janeiro. Obrigada, Paulo, por junto com Lenine trazer calma e verdade à minha alma em meio ao furor da fantasia do Carnaval.

Fernanda Hinke

Parque Nacional da Tijuca
Estrada das Paineiras

Durante quatro dias, lá embaixo, o Carnaval pulou, brincou, brilhou, beijou, pegou, se entristeceu, brigou e murchou. Eu me sentia protegida, assisti essa grande festa de cima, no camarote com o Cristo Redentor.

Fernanda Hinke

Parque Nacional da Tijuca
Estrada das Paineras

Mas na quarta-feira de cinzas, como Paris? Bege ou cinza? Tanto faz, ambas pra mim são tristes, triste como esse dia… triste porque acabou o Carnaval? Não, triste porque o meu Carnaval acabou em desamor. Devia ter ficado para sempre La no alto, protegida pelas costas largas do Cristo Redentor…

Mas como sempre há beleza na dor, meu Carnaval acabou em desamor… agora é só amor… Assim como Paris, o Rio me abriu as portas para o trabalho no amor, o amor pela bici…

Entendes agora como a calma encontra beleza na dor? Nada nessa ordem, necessariamente… a única ordem aqui, vou te contar um segredo, foi o Cristo quem me sussurrou: o desamor acabou, na quinta o sol brilhou, a champanhe gelou e a gente brindou: Go Bike Rio, que é só amor!

Fernanda Hinke

Foto: Ruy Barros