Cicloviagem na região da Bourgogne 0

Depois de viajar sozinha pelo Vale do Loire durante o matizado e excitante outono de 2013, este ano me aventurei pela região da Bourgogne e Champagne.

Explorar rotas cicloviadas na França está se tornando uma espécie de paixão impulsionada pelo dever.

No final do último verão, acompanhada pela minha parceira da bike Cristiane, peguei um trem de Paris a Dijon para de lá me jogar “sem lenço e sem documento” pela belíssima região da Bourgogne. Eu me sentia feliz!

Fernanda Hinke

Fernanda Hinke e Cristiane de Oliveira – Dijon

Em Dijon, alugamos nossas bikes, demos um rolê de algumas horas pela pequena e charmosa cidade que nos permitiu ter uma visão geral, acompanhadas pelo toque de um ventinho fresco de verão que teimava em chegar. Nos deliciamos com escargots e mostardas gourmet antes de pegar nossa primeira rota com destino a Beaune.

 Até Beaune pela estrada regular somam-se 35 km. De bike ainda não sabíamos exatamente a distância da rota cicloviada, esta passava dentro de pequenas cidades e muitas plantações de uva, fazendo assim o caminho se tornar mais longo e curvo, em estradinhas não pavimentadas.

Fernanda Hinke

Bourgogne Region

A alegria de viver aquele momento era tanta que de uma maneira inocente esquecemos que o sol não demoraria a se pôr. Parávamos sempre que havia paisagens que nos encantavam, como campos de flores e uvas, estas em seu ápice, quase prontas para a colheita.

Fernanda Hinke

Campos de flores –  Região da Bourgogne

Fernanda Hinke

Plantação de uva –  Região da Bourgogne

Fernanda Hinke

Uvas Pinot Noire  -  Região da Bourgogne

 

Uma paradinha na cidade de Gevrey-Chambertin, uma área de vinhedos de prestígio mundial. Ali fizemos uma degustação de vinhos em uma cave; depois de nos deleitarmos e aprendermos sobre sete vinhos diferentes, retornamos radiantes para a cicloviagem.

 

Fernanda Hinke

Fernanda Hinke em Gevrey Chambertin

Fernanda Hinke

Cave at Gevrey Chambertin

 

Os primeiros sinais do crepúsculo apareceram quando ainda tínhamos muito a percorrer. Durante a passagem por um pequeno vilarejo que tinha um castelo com aspecto vivo e desassistido ao mesmo tempo, começou a garoar, quando a noite estava por chegar.

 

Fernanda Hinke

Lindas vistas no caminho

Passar por estas cidadezinhas da Franca onde pessoas habitam suas poucas casas, dá se a sensação de desamparo. Queria poder descrever com emoção a sensação de passar por um lugar onde mesmo sabendo que há vida dentro das casas, sabe-se que você pode morrer de frio sem que ninguém te perceba…

A noite chegou muito antes de Beaune, o medo e o frio também. Ainda faltavam 19 km pela estrada escura e chuvosa. Sem ter reserva em nenhum hotel para passar a noite, a aventura chegou ao limite. Por mais de uma hora procuramos lugar para nos abrigar.

Fernanda Hinke

Bourgogne

Finalmente encontramos um hotel-spa que nos acolheu com desconto e muito conforto. Uma pena não termos tempo para desfrutar…

No dia seguinte, partimos antes do almoço, pedalando por adoráveis paisagens pelo vinhedos de uvas grand-cru e então chegamos à pitoresca cidade de Beaune. Um almocinho e uma deliciosa degustação de vinhos brancos no château Corton-André e já era hora de pegarmos a estrada novamente.

Fernanda Hinke

A caminho de Beune

Para não passar sufoco novamente, reservamos um hotel a 12 km dali. Viajamos com tranqüilidade, aproveitando cada vista que esta viagem nos revelava.

 No nosso pequeno e simples hotel, no meio do nada, em frente a um car-camping, encontramos muitas pessoas esquisitas, e passamos a noite quietinhas, sem sair do quarto.

 Na manhã seguinte, após um café da manha revigorante, era a hora de partir para o terceiro e último dia de viagem, e mais plantações de vinhos nos acompanharam até chegarmos ao canal da Bourgogne.

Fernanda Hinke

Inicio do Canal da Bourgogne

 

A partir do canal, a atmosfera mudou, não tão bonita quanto antes, mas em uma pista que nos permitiu rodar rapidamente 50 km em meio-dia. Sem perder o foco, seguimos até o nosso destino final, a cidade de Montchanin. Ali pegamos um trem para devolvermos nossas bikes em Dijon.

 

Fernanda Hinke

Mini-fazendinhas no Canal da Bourgogne

Fernanda Hinke

Lago no Canal da Bourgogne

 

Durante os 50 minutos dentro do trem, reconhecemos vários lugares que passamos de bike pelos 120 km que pedalamos. Lá no fundo das paisagens, onde nossos olhos quase não podiam enxergar, no longe, no infinito… estávamos estupefatas!

 

Fernanda Hinke

Caminho de volta para Dijon

Foi lindo tudo o que vivemos by bike na Bourgogne!

Se você quiser saber mais detalhes sobre este cicloviagem leia o artigo que escrevemos para Conexão Paris clicando aqui.