Cicloviagem na Região de Champagne 0

“Prazer e Dor são representados com os traços gêmeos, formando como que uma unidade, pois um não vem nunca sem o outro; e se colocam um de costas para o outro porque se opõem um ao outro.” –  Leonardo Da Vinci.

Após a experiência de viajar sozinha e depois em dupla, era hora de pedalar com um pequeno grupo. Com os amigos Renata, Guilherme e Alfredo desbravamos a região da Champagne.

 Às 7 horas da manha de uma sexta-feira seguida de uma noite triste, pulei da cama cheia de coragem e fui pedalando até a Gare de l’Est em Paris. Ali encontrei os amigos. Cada um com sua bike e bagagem nos alforjes.

 A ideia era fazer uma cicloviagem intermodal, compartilhada entre bike e trem durante três dias.

Fernanda Hinke

Fernanda Hinke, Guilherme Tampieri, Renata Aiala e Alfredo Brant em Chamapgne.

Viajar de bike significa se locomover com sua própria energia. Uma sensação de que podemos chegar a qualquer lugar de maneira orgânica e interagindo verdadeiramente com locais desconhecidos.

Colocamos nossas bikes no trem e desembarcamos na pequena cidade de Dormains. Nosso plano era chegar ao final do dia em Reims, a 77 km dali. A primeira etapa era pedalar até Épernay, e até aqui foi tudo ok. A estrada era cercada de vinhedos, que fazem a bebida mais sofisticada do mundo, os champanhes. Era uma manhã de outono sem sol, um pouco melancólica.

Fernanda Hinke

Champagne – Foto: Alfredo Brant

Fernanda Hinke

A caminho de  Épernay

Fernanda Hinke

Épernay – Foto Alfredo Brant

Um rápido almoço em Épernay e novamente caímos na estrada. A surpresa foi que teríamos que passar pelas Montanhas de Reims. Para ser honesta, eu não estava preparada fisicamente para subidas sem fim. Me cansei, me exaustei, não estava bem emocionalmente e fui obrigada a finalizar parte deste trajeto de trem, quando ainda faltavam 20 km para chegar a Reims.

Parte do grupo seguiu de bike e passaram um apuro enorme quando estavam apenas a 2 km de Reims.  Eles caíram na autoestrada e ficaram literalmente ilhados, tendo que ser resgatados pela polícia local.

Fernanda Hinke

Montanhas de Reins

O cansaço físico e emocional de todos era tão grande que passamos a noite no hotel, replanejando tudo de maneira que pudéssemos evitar as montanhas nos próximos dias de viagem.

Pizza, champanhe e boas risadas nos deram a ideia de seguir viagem pedalando no sudoeste da região.

Fernanda Hinke

Reins – Foto Alfredo Brant

 

Em um sábado de uma manhã cinzenta, pedalamos pelo centro de Reims e em seguida pegamos um trem para a cidade de Saint-Dizier. A partir deste ponto, comecei a relaxar. Esta receptiva cidade nos forneceu verdadeiros mapas para chegarmos ao Lac du Der-Chantecoq, o maior lago artificial da Europa Ocidental. Pedalamos 12 km ao lado de um canal e ao final do dia, munidos de um delicioso piquenique, enfim chegamos a este mágico lago.

 

Fernanda Hinke

A caminho do Lac du Der-Chantecoq

Fernanda Hinke

Lac du Der-Chantecoq

Pedalamos por florestas intactas e com paisagens de encantar a alma. Fomos presenteados com um belíssimo pôr do sol e piquenicamos até o anoitecer.

Boa companhia, boa conversa e deliciosas garrafas de champanhe fizeram enfim meu coração explodir de alegria.

Fernanda Hinke

Pic-nic no Lac du Der-Chantecoq

 

Repousamos em um acolhedor hotel em um pequeno vilarejo ao lado do lago. No dia seguinte, o sol não hesitou em brilhar. Saímos pela manhã e continuamos a pedalar em volta do lago, que tem toda a sua circunferência (18 km) cicloviada. Assistíamos o tempo todo à concentração para a migração das aves aquáticas. Aquele bando de pássaros formando desenhos simétricos no céu, voando em sintonia, representaram para mim a luta pela vida. Fiquei emocionada e não pude deixar de agradecer ao universo por todos os seres vivos da Terra.

 

Fernanda Hinke

Lac du Der-Chantecoq

Fechamos a volta ao lago e seguimos pedalando por pequenas estradinhas e cidadezinhas. Tudo encantador, uma singela beleza que trazia calma à minha inquietude de ser. Almoçamos em Vitry-le-François e lá pegamos um trem para a cidade de Châlons-en-Champagne.

Fernanda Hinke

Guilherme, Renata e Fernanda  em Champagne – Photo Alfredo Brant

 

Chegamos a Chalon no entardecer, outro lindo pôr do sol. Estávamos nos sentindo jubilosos, dentro de um grande parque onde pudemos apreciar o espetáculo da natureza em pleno outono.

 

Fernanda Hinke

Chalons en Champagne

Fernanda Hinke

Chalons en Champagne – Photo Alfredo Brant

 

Às 19h30, pegamos um trem de volta a Paris e descemos novamente na Gare de l’Est.

 

Fernanda Hinke

Sunset at Chalons en Champagne

 

Ao pedalar de volta para casa após ter completado 135 km durante os três últimos dias, em pensamento só tinha motivos para agradecer. Agradeci também pelo grande gênio Leonardo da Vinci, que ainda na Idade Média desenhou o primeiro protótipo da bicicleta.

 

Fernanda Hinke

Bike by Leonardo Da Vinci

 

Pedalar é sem dúvidas um dos maiores prazeres da minha vida! A dor? Que eu tenha sempre coragem para suporta-lá!

Se você quiser saber mais detalhes sobre este cicloviagem, leia o artigo que escrevemos  o site para Conexão Paris aqui, ou veja o vídeo abaixo.