My Life em Vídeos – Retrospectiva 2013 0

No ano passado, para retrospectar 2012, fiz uma seleção entre as mais de 600 imagens de street-art que eu havia fotografado em Paris no decorrer daquele ano (veja o artigo aqui).

2012 foi meu primeiro ano morando em Paris e eu fui tomada por uma certa disciplina de fotografar cada obra que eu encontrava nas ruas e que considerasse relevante; era uma maneira de pesquisar a cena de Paris, reconhecer os artistas através de seus traços, entender as diferentes técnicas utilizadas pelos mesmos, decodificar mensagens e, claro, imortalizar este movimento tão característico pela efemeridade.

Para retrospectar 2013 recontando os sentimentos e momentos relevantes que vivi, decidi postar os vídeos dos quais participei de alguma maneira, entrevistando artistas, produzindo, trabalhando nos bastidores, intermediando, vídeos entre amigos e vídeos amadores, porém que me fizeram viver momentos sublimes.

Confesso que 2013 foi um ano um tanto quanto indisciplinado; contrariando provisoriamente a sabedoria do grande músico e compositor Renato Russo, o qual admiro muito, e que diz em uma de suas músicas que “Disciplina é liberdade”, em meu caso especificamente, viver 2013 com esta certa “indisciplina controlada” me permitiu viver experiências novas, poderia dizer até radicais, um novo universo, um cardápio de possibilidades que me permitiram ser livre e me sentir livre como jamais havia sido em toda minha vida.

Superação é o que marca o meu ano de 2013; superação principalmente de medos e antigos paradigmas, que permitiram que eu tivesse um ano de muita emoção, emoções que me levaram do inferno ao céu, que me fizeram ter experiências tão intensas, me fazendo sentir mais viva do que nunca.

Fernanda HInke

Vale do Loire – Amboise

O ano começou em Amsterdam, entre amigos, com muita festa, street-art, lugares undergrounds, muitos roles de bike pela cidade proibida e também marcado pela despedida de um grande amor.

Tenho a superstição que conforme a vibe da sua passagem de ano, isto pode dizer muito sobre o ano que está em sua frente, te esperando para ser vivido.

A noite de ano novo foi confusa, porém excitante, marcada por uma chuva torrente, que nos causou muita dificuldade para chegar ao centro e celebrar a virada. Como é a tradição em Amsterdam, após alguns minutos de uma bela queima de fogos, bombas são estouradas durante toda a madrugada. O cenário, embora seja de festa, lembra uma guerra, com muito barulho e com uma neblina formada pela fumaça que impregna toda a cidade. As cenas desta noite foram tão fortes que acabaram por ser “censuradas” no vídeo abaixo, produzido por meu grande amigo Charles Devoyer.

Foi no meio deste “caos” que o meu ano de 2013 começou…

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No mês seguinte, durante uma temporada no Brasil, em uma sexta-feira de Carnaval, passei o dia todo filmando e entrevistando o grafiteiro e meu conterrâneo L7m. Poderia tratar-se de mais uma entrevista corriqueira, não fosse pelo fato de estarmos realizando o trabalho em uma fábrica abandonada, um lugar sujo, sem janelas, com goteiras, frequentado por usuários de crack; era só uma palinha do medo e perigo que eu estava para viver ao longo do ano de 2013 (veja artigo completo aqui).

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Retornei a Paris após 3 meses de luto intenso pelo fim de um relacionamento com “meu grande amor”;  e no início do verão, fui para o Sul da França, Hossegor. Com meus colegas da Montebelo, trouxemos a banda californiana Allah-Las, que realizou um concerto beneficente em prol da Surfrider Foundation. Foram dias extraordinários, influenciados pelo poder de cura do mar, que trouxeram o brilho de volta a minha vida, e desta vez um brilho muito mais intenso, como o de um diamante que acabara de ser lapidado (veja artigo completo aqui).

O ponto alto de superação e aventura de 2013 foi visitar as Catacumbas de Paris com os artistas Psycoze e Zezão (embora o vídeo oficial ainda não esteja pronto, posto uma palinha da escada que tivemos que enfrentar para chegar neste universo paralelo).  O meu maior medo, que me perseguiu durante toda a minha vida, foi o medo de altura, que foi superado nesta noite chuvosa do mês de agosto de 2013. Descer e depois subir 45m, o equivalente a um prédio típico parisiense de 6 andares,  em um ângulo de 90 graus, sem proteção, no escuro, em degraus que chegavam a ter 1 metro de distância entre um e outro, escorregadios devido a chuva, me colocaram no limite. Como se não bastasse, para que a visitação fosse à altura dos artistas e “reis do universo underground” de São Paulo e Paris, tivemos que nos rastejar de barriga por mais de 200m, em um túnel com menos de 1 metro de altura. Em 2014 o vídeo oficial será postado com maiores detalhes desta aventura que marca um divisor de águas em minha vida.

Veja o vídeo no Facebook do Zezão :

https://www.facebook.com/photo.php?v=213403302153067&set=vb.103567339803331&type=2&theater

No pico do verão parisiense, o tour que eu havia criado espontaneamente em 2012, chamado Meia-noite em Paris by bike, foi divulgado em parceria com o site Conexão Paris. O sucesso foi imediato, turistas brasileiros de norte a sul vieram viver esta experiência inesquecível comigo em noites quentes e de muita emoção. Indiquei ao Conexão Paris meu grande amigo e cineasta Charles Devoyer para realizar um projeto que lança uma série de vídeos mostrando a nossa proposta aos turistas brasileiros (veja artigo completo aqui).

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No ano em que o casamento homossexual foi liberado na França, finalmente soltamos o primeiro capítulo do documentário que começamos a trabalhar em 2012, chamado O Futuro da street-art. Este projeto experimental, onde entrevistei mais de 35 artistas em 4 dias, foi inaugurado com um retrato da artista Kashink, que se utilizou do poder dos muros da cidade para pintar mais de 50 bolos de casamento entre dois homens, representando o seu apoio à  comunidade homossexual francesa. O vídeo não só dá o pontapé inicial neste projeto que ainda tem enormes chances de ser desenvolvido, como também participou no último setembro do primeiro festival de curtas-metragens sobre street-art na França.

A união faz a força, sem dúvida. Em um dia lindo de verão, do qual organizei a vinda do artista brasileiro Zezão para pintar o Le M.U.R. na Rue Oberkampf em Paris,  conseguimos também reunir mais 5 artistas internacionais, que durante esta tarde criaram obras de arte que foram doadas para a Surfrider Foundation, a maior ONG que trabalha em prol da proteção dos oceanos. O projeto encheu nossos corações de esperança e nos mostrou que com criatividade e colaboração, podemos realizar grandes feitos. O projeto continua em 2014 (veja artigo completo aqui).

Em novembro, concluí um vídeo atrasadíssimo de uma entrevista realizada com o artista Brasileiro Eduardo Kobra, em São Paulo, no início deste ano. Kobra fala sobre como a cidade de São Paulo ainda é carente de arte urbana, fala de como ele se utiliza dos muros para protestar em favor da defesa dos animais e como no Brasil infelizmente não temos a cultura da preservação da nossa história. Embora São Paulo esteja entre as cinco capitais mais importantes para a street-art no mundo, no próximo ano, esperamos ver a “cidade cinza” ainda mais colorida (veja artigo completo aqui).

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E para finalizar a minha retrospectiva 2013, um vídeo que gravei no celular de uma grande aventura que vivi by bike no final do outono. Durante 2 dias, pedalei 80km, viajando de Tours a Blois, completamente sozinha, sob chuva e às margens de um dos rios mais selvagens da França, o Vale do Loire. Confesso que me arrisquei perigosamente, me expus de uma maneira nua e crua, senti medo, diria que até um certo pavor, porém sobrevivi e desta experiência saí mais forte para encarar todos os desafios que a vida me delegar (veja artigo completo aqui).

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E que venha 2014, um ano para amar, me aventurar, pedalar, fotografar, filmar, viajar, ajudar, entrevistar, vencer desafios e ser feliz, muito feliz!